quinta-feira, 14 de abril de 2011

Sonetos I, V e X de William Shakespeare

SONNET 1

From fairest creatures we desire increase,
That thereby beauty's rose might never die,
But as the riper should by time decease,
His tender heir might bear his memory:
But thou, contracted to thine own bright eyes,
Feed'st thy light's flame with self-substantial fuel,
Making a famine where abundance lies,
Thyself thy foe, to thy sweet self too cruel.
Thou that art now the world's fresh ornament
And only herald to the gaudy spring,
Within thine own bud buriest thy content
And, tender churl, makest waste in niggarding.
    Pity the world, or else this glutton be,
    To eat the world's due, by the grave and thee.


Shakespeare, William. Sonnet 1. Ed. Amanda Mabillard. Shakespeare Online. 20 Aug. 2000. (Acesso em: 14/04/11) < http://www.shakespeare-online.com/sonnets/1.html >.


SONNET 5

Those hours, that with gentle work did frame
The lovely gaze where every eye doth dwell,
Will play the tyrants to the very same
And that unfair which fairly doth excel:
For never-resting time leads summer on
To hideous winter and confounds him there;
Sap check'd with frost and lusty leaves quite gone,
Beauty o'ersnow'd and bareness every where:
Then, were not summer's distillation left,
A liquid prisoner pent in walls of glass,
Beauty's effect with beauty were bereft,
Nor it nor no remembrance what it was:
    But flowers distill'd though they with winter meet,
    Leese but their show; their substance still lives sweet.

Shakespeare, William. Sonnet 5. Ed. Amanda Mabillard. Shakespeare Online. 20 Aug. 2000. (Acesso em: 14/04/11) < http://www.shakespeare-online.com/sonnets/5.html >.


SONNET 10

For shame deny that thou bear'st love to any,
Who for thyself art so unprovident.
Grant, if thou wilt, thou art beloved of many,
But that thou none lovest is most evident;
For thou art so possess'd with murderous hate
That 'gainst thyself thou stick'st not to conspire.
Seeking that beauteous roof to ruinate
Which to repair should be thy chief desire.
O, change thy thought, that I may change my mind!
Shall hate be fairer lodged than gentle love?
Be, as thy presence is, gracious and kind,
Or to thyself at least kind-hearted prove:
    Make thee another self, for love of me,
    That beauty still may live in thine or thee.


Shakespeare, William. Sonnet 10. Ed. Amanda Mabillard. Shakespeare Online. 20 Aug. 2000. (Acesso em: 14/04/11) < http://www.shakespeare-online.com/sonnets/10.html >.




I
Aos mais belos, o desejo é multiplicar.
Assim, nunca vá à morte a rosa da beleza,
Mas o tempo, vil, tende a tudo devorar,
Seu herdeiro a ostentará, fará a gentileza;
Mas tu, somente aos próprios olhos 'stás voltado,
Em fogo e ímpeto, a ti mesmo devoras,
Faz da abundância um lar à fome fadado,
Vil vilão de ti, contra ti guerras imploras;
Tu, agora és magnífica jóia do mundo,
Somente a anunciar a etérea primavera,
Enterrando o próprio botão, ao chão profundo,
Sovina, a avareza cresce como hera.
   Apiede-se do mundo, ou sede seu glutão,
   Comer o que é devido, por ti e o caixão.


Trad: Raphael Soares
V
As horas que enquadraram com gentil demanda
O olhar amante onde todos os olhos somem
Brincarão com os tiranos, união infanda,
E imbelamente o belo evade-se do homem;
Pois o tempo infatigável arrasta lento
O verão sobre o inverno, quando o devasta,
A seiva congelada, as folhas ao relento,
E a árida beleza escondida em neve vasta.
Se não é a essência restante do verão
Um líquido em muros de vidro aprisionado,
Da beleza o efeito à beleza deverão,
Nem ela nem nada relembrará o seu fado.
   Mas as flores destilaram, e à aridez
   Perecem, mas ressurgem em sua fluidez.


Trad: Raphael Soares
X
Que vergonha! Negas que pode amar a alguém,
Tu, que contra o próprio ser és tão imprudente.
Desejas ser tão amado por muitos, sem
Contudo amar ninguém, isso é muito evidente;
Pois está pelo ódio assassino possuído,
Que não hesita tramar contra o próprio ser,
Visando aruinar o nobre lar construído
Enquanto desejava apenas o erguer;
Oh! Mude o teu pensar para que eu mude o meu!
O ódio por acaso é mais viável que o amor?
Sede gracioso e gentil como o talhe teu,
Gentil ao menos ao próprio ser, vim propor:
   "Faze prole, se me tens amor" - repeti -
   "Para que a beleza viva, nos teus ou em ti."

Trad: Raphael Soares

Devido minha ousadia de I-traduzir Shakespeare, vou precisar de ao menos mais 3 posts para explicar minhas escolhas. Não vou postar qualquer outra I-tradução até me explicar completamente.

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